Por Guilherme Casarões

Os ingredientes da guerra na Síria misturam disputas locais por poder político, acirradas por clivagens étnicas e religiosas e encapsuladas em uma longa história de regimes autoritários. Além disso, o país se encontra no epicentro de rivalidades geopolíticas mais amplas e de múltiplas camadas.

No plano regional, a Síria é palco do jogo de poder entre Irã e Arábia Saudita, potências regionais que buscam projeção política e militar, ao trabalhar nos interstícios de instabilidade no subcontinente. A República Islâmica do Irã, de matriz religiosa xiita, é aliada histórica do governo Assad. Por sua vez, o governo saudita, defensor do wahhabismo, uma modalidade radical do
sunismo, financia grupos de oposição na Síria3 .

A crescente presença dos interesses iranianos e sauditas nos conflitos sectários de Síria, Iraque e Iêmen já vem sendo denominada como a “nova Guerra Fria” do Oriente Médio4. Maior destino de refugiados sírios e preocupada com o acirramento da questão curda ao longo de sua frágil fronteira, a Turquia, outra potência regional, tem-se envolvido diretamente na guerra civil síria5.

Em âmbito global, os sírios veem-se diante de uma queda de braço entre Estados Unidos e Rússia, cada qual com seus aliados regionais e com próprios desejos geopolíticos, que trazem à tona o lado mais cruel dos “conflitos por procuração” do século passado. Essa disputa vem inviabilizando qualquer saída negociada para o conflito, seja por meio das Nações Unidas, seja por meio das negociações minilaterais de Genebra.

Para darmos conta da complexidade do conflito sírio, contudo, é necessário avaliar suas causas profundas. Em que pesem todas as questões singulares que compõem a gravidade do que observamos na região, pode-se dizer que a guerra civil síria é, em certo sentido, mais um capítulo de uma tragédia muito maior, cujas origens podem ser encontradas pelo menos um século atrás.

A formação do Oriente Médio moderno

Um dos pontos de partida mais consagrados para se compreender os fenômenos do Oriente Médio é o ano de 1916. Em meio à Primeira Guerra Mundial, franceses e britânicos assinaram o Acordo (secreto) de Sykes-Picot, que previa a divisão de parte importante do Império Otomano– hoje correspondente a Síria, Líbano, Israel, Palestina, Jordânia e Iraque – entre zonas de influência e de controle de ambos os países6.

Com o fim da guerra, as duas potências europeias vencedoras foram não só capazes de desmembrar os territórios otomanos, a cujo antigo Império restaram somente os contornos da atual Turquia, como, também, de desenhar
as fronteiras nacionais daquela parte do Oriente Médio moderno. Aproveitaram para ocupar a região por duas décadas, por meio de mandatos
chancelados pela precursora das Nações Unidas, a chamada Liga das Nações. A colonização, que já havia brutalizado a África e o extremo Oriente, ganhava feições de legalidade multilateral. Contudo, o que França e Grã-Bretanha entendiam como uma espécie de “ato civilizatório” trouxe consequências profundas de longo prazo.

A divisão do mapa político da região orientou-se muito mais por interesses políticos e econômicos do que pelo efetivo respeito aos povos que ali viviam. Aos curdos foi negado um Estado próprio, forçando-os a viver sob quatro soberanias distintas e rivais. Os árabes, por sua vez, foram retalhados em vários países por fronteiras tão retilíneas quanto incoerentes.

Artificiais, os reinos-irmãos de Jordânia e Iraque tentaram, sem sucesso, unificar-se politicamente algumas décadas mais tarde –ao custo de convulsões políticas que, do lado iraquiano, ajudaram a parir ditadores nacionalistas como Saddam Hussein. Na Palestina, a ambiguidade das políticas britânicas relativas a árabes e judeus lançou as bases de um conflito
que se arrasta até hoje, sem perspectivas de solução.

No espaço do mandato francês, a fracassada tentativa de se criar um “grande Líbano” cristão, uma Síria sunita e dois Estados para minorias
religiosas – os alauítas e os drusos – levou a fronteiras instáveis. Desde aquele período, os libaneses viveram duas sangrentas guerras civis, reflexo das disputas sectárias que não foram superadas, e os sírios acabaram tomando, à
semelhança do Iraque, um caminho nacionalista autoritário que está, justamente, sendo colocado em xeque.

Embora seja um equívoco dizer que os esquadros europeus foram os únicos
responsáveis pelas atuais mazelas do Oriente Médio, não se pode retirar deles o devido papel. As linhas arbitrárias foram o ambiente propício para a proliferação de experimentos ditatoriais, alguns de contorno socialista, que reprimiram brutalmente minorias étnicas e religiosas e represaram identidades sectárias embasadas em nacionalismos exacerbados. Essas “panelas de pressão políticas” sobreviveram lacradas por décadas, até que uma série de eventos, já no início deste século, levou o antigo modelo ao colapso.

As origens da guerra civil síria

Se as causas profundas do atual problema sírio remontam a cem anos atrás, as questões mais imediatas estão relacionadas a dois fatores:
a invasão norte-americana do Iraque, em 2003, e a chamada “Primavera Árabe”, sete anos mais tarde. Apesar de serem dois processos distantes
no tempo (e, em algum sentido, no espaço), representam duas faces da mesma moeda: a tentativa de reorganizar, na região, as relações
entre Estado e sociedade.

No primeiro caso, isso se deu de maneira exógena, sob o pretexto de garantir ao povo iraquiano democracia e direitos fundamentais. Entretanto, a deposição de Saddam Hussein, em vez de tornar o Iraque mais estável, pacífico e livre, tragou o país para uma guerra sectária, entre uma maioria árabe xiita historicamente alijada do poder, uma minoria árabe sunita que controlava o país desde as origens e, ainda, os curdos (também sunitas) ao norte. Para se ter uma ideia daquilo em que se transformou o Iraque, há uma cifra alarmante: desde a invasão norte-americana, o país tornou-seo maior palco de atentados terroristas do planeta, com uma média de 10 civis mortos por dia em decorrência de ataques suicidas7.

A maioria dessesataques faz parte da chamada “reação sunita” à perda de poder, direcionada contra a população xiita e elementos do novo governo.
Os grupos mais ativos por trás da onda de terror no país são a Al-Qaeda do Iraque e, mais recentemente, sua principal dissidência, o autoproclamado “Estado Islâmico” – também conhecido como “Estado Islâmico do Iraque e
do Levante” ou “Daesh”, no acrônimo em árabe (nomenclatura, a propósito, que eles mesmos detestam). Composto por membros das antigas forças de segurança de Saddam Hussein e por fundamentalistas islâmicos, seguidores de uma vertente radical do sunismo (o wahhabismo saudita), o Daesh pretende consolidar uma base territorial como forma de estabelecer um califado islâmico, orientado pela interpretação rigorosa das leis corânicas. A ele voltaremos em breve.

No caso da “Primavera Árabe”, populações árabes tomaram as ruas contra seus ditadores, tanto no Oriente Médio quanto no norte da África. Ao contrário daquilo em que quiseram crer os analistas ocidentais, a demanda básica foi menos por democracia e mais por oportunidades econômicas, sobretudo entre os jovens, em sua maioria desempregados e sem perspectivas de futuro8
.
O mesmo “gênio” que já havia saído da garrafa no Iraque, com a substituição de um nacionalismo autoritário por um caldeirão de conflitos sectários,
passaria a varrer outros países da região. No Egito, a experiência democrática não durou mais que um ano: entre uma democracia controlada pela Irmandade Muçulmana e o antigo modelo de ditadura militar secular, apoiada pelos Estados Unidos, a maioria dos egípcios optou pela última.

Na Líbia, a morte de Khaddafi, encastelado no poder por quatro décadas, lançou o país em uma situação irreversível de pulverização tribal.
Na Síria, o temor de que opositores sunitas tomassem controle do país, na esteira do que estava ocorrendo na vizinhança, levou o ditador
Bashar al-Assad a iniciar uma guerra civil brutal, cujos números são assustadores e bem conhecidos. Passado e presente deram-se as mãos  na tragédia síria: ela trouxe à tona os equívocos de Sykes-Picot, os limites da construção forçada de um nacionalismo árabe-sírio, os reflexos da
ingerência estrangeira sobre o Iraque e as divisões étnico-religiosas represadas há décadas.

Para piorar o cenário, a guerra civil ressuscitou uma disputa geopolítica antiga
entre Estados Unidos e Rússia, da época em que o Oriente Médio era dividido com base nas clivagens da Guerra Fria. Mesmo diante da coleção de fracassos no Iraque (e também no Afeganistão e, mais recentemente, na Líbia), o
governo Obama nunca escondeu sua preferência por uma intervenção militar como solução para a calamidade humanitária que se desenhava.
À semelhança do que ocorrera em 2003, o discurso norte-americano opunha um ditador sanguinário a um povo oprimido e urgia o respeito aos direitos humanos, em bases democráticas.

Agora, com sinais trocados: acusava-se uma minoria xiita-alauíta de tiranizar uma maioria sunita.Ao contrário da guerra do Iraque, contudo, os Estados Unidos já não tinham mais condições políticas, nem recursos econômicos,
para galvanizar apoio internacional à sua missão civilizadora ou para driblar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, como no passado. Esbarraram em uma Rússia em ascensão, amparada pela China e disposta a manter a dinastia Assad no poder a qualquer custo.

No caso russo, não se tratava simplesmente de reviver as glórias de outrora. A Síria é uma formidável consumidora de armamentos russos, peça estratégica na geopolítica do petróleo e do gás, além de assegurar à Rússia o único acesso direto ao Mar Mediterrâneo. Como a prorrogação do conflito sírio é a garantia da permanência de Bashar al-Assad no poder –que ainda conta com recursos econômicos e militares superiores aos de seus opositores–, Putin e seus aliados trabalharam, desde a eclosão da guerra civil, para obstruir os
interesses norte-americanos.9

A fase atual do conflito
Enquanto a queda de braço das grandes potências impediu qualquer acordo possível entre governo e oposição na Síria, a catástrofe humanitária aprofundou-se. Um de seus desdobramentos mais visíveis é o número
crescente de refugiados e deslocados internos que fugiram das zonas de conflito. De uma população total de 23 milhões de pessoas, mais
de 5,5 milhões já saíram do país, a maioria das quais rumo aos vizinhos Turquia, Líbano e Jordânia10. Entre 6 e 8 milhões permanecem na
Síria, mas fora de suas casas.

Para se ter uma ideia do impacto regional da crise, 20% da população libanesa, hoje, é composta por refugiados sírios. Na Europa, o país que mais recebeu refugiados foi a Alemanha, que acolheu centenas de milhares de sírios nos últimos três anos. As dificuldades que os europeus têm, em geral, com a entrada maciça de sírios foram bem documentadas nas imagens de policiais húngaros tentando impedir que milhares de pessoas cruzassem a fronteira turca, bem como nos episódios de islamofobia que se seguiram aos atentados de Paris, Munique ou Manchester. Em contraste, países
com políticas de acolhimento relativamente abertas, como o Brasil e o Canadá, receberam, respectivamente, 3,7 mil e 40 mil sírios até o
começo deste ano11.

Além da crise dos refugiados, outro fator crítico na fase atual do conflito é a crescente presença do Estado Islâmico, que, desde 2014, vem estendendo seus tentáculos para dentro das fronteiras sírias, consolidando uma faixa territorial extensa – de área semelhante à Grã-Bretanha –, embora estreita e nem sempre contígua. Nos últimos três anos, as principais bases físicas do
Daesh foram as cidades de Mosul, no Iraque, e de Raqqa, na Síria, além da cidade líbia de Sirte, convertida na “capital internacional” do grupo.

Delas saem fontes cruciais de financiamento, que vão da venda de petróleo à cobrança de impostos, passando pelo resgate de sequestros e pelo
tráfico humano. Com a capitulação do Daesh em Mosul, anunciada em junho de 2017 pelo primeiro ministro iraquiano, Haider al-Abadi, a situação do
grupo fragiliza-se, ainda que o autoproclamado califado mantenha controle sobre importantes regiões na fronteira mesopotâmica12.

Desde que o grupo iniciou sua campanha de conquista territorial, diversos países lançaram ações militares – nem sempre coordenadas – contra suas principais posições. Em agosto de 2014, uma coalizão de países árabes e
europeus, liderada pelos Estados Unidos, passou a bombardear bases militares, linhas de força, estradas e cidades controladas pelos jihadistas,
tanto no Iraque quanto na Síria. Ao mesmo tempo, Irã e Turquia, movidos por interesses distintos, também se articulavam contra o Daesh.

Passados mais de dois anos do início dos bombardeios, os resultados foram, em larga medida, decepcionantes. A campanha internacional impôs ao Estado Islâmico algumas derrotas, mas não foi capaz de evitar uma onda de atentados terroristas de enorme repercussão internacional. Desde os ataques coordenados em Paris, em novembro de 2015, que deixaram mais de 130 mortos, o terrorismo alastrouse por Bruxelas, Nice, Londres, Estocolmo e
Manchester13, legando marcas profundas nas sociedades europeias e na relação destas tanto com seus cidadãos muçulmanos como com os
refugiados do conflito sírio.

Ainda que se dê muita exposição ao que vem ocorrendo em solo europeu, os ataques maissangrentos perpetrados pelo Daesh ocorrem no Oriente Médio e contra populações islâmicas. Da explosão de um avião russo no Egito, que
deixou 224 vítimas em outubro de 201514 à série de atentados suicidas na Turquia em 201615, passando pelas centenas de mortos por homens-bomba nos diversos ataques a bairros xiitas de Beirute ou Bagdá, calcula-se que 4 mil muçulmanos foram vitimados pelo terrorismo do Estado Islâmico16.

Perspectivas

O quadro de instabilidade generalizada impossibilita um prognóstico claro a respeito da Síria. Embora fragilizado, o Estado Islâmico segue como uma força desestabilizadora no seio do Oriente Médio. Diante da eficácia limitada dos bombardeios internacionais, muitos analistas e políticos no Ocidente aventaram uma ofensiva terrestre. Todavia, a região continuará
convulsionando no futuro, a menos que haja uma campanha global contra o fundamentalismo islâmico, que ataque não somente os sintomas, mas também as causas profundas, como a islamofobia e a marginalização dos cidadãos muçulmanos europeus dentro das próprias sociedades ocidentais.

Não se deve esquecer que, em retrospectiva, o êxito de intervenções militares internacionais é absolutamente discutível. Costuma-se considerar, aliás, que a presença estrangeira seja um dos ingredientes do fundamentalismo islâmico na região. Isso para não dizer que, nas circunstâncias atuais, nenhum país ocidental – tampouco a Rússia – tem interesse em mobilizar grandes números de soldados para o campo de batalha, em função dos enormes custos políticos e econômicos.

Diante dessas limitações, a opção tem sido por empoderar atores que possam combater o Daesh de maneira mais próxima. Um caminho é abrir espaço para a Arábia Saudita e seus aliados.
Eles formaram, em dezembro de 2015, uma aliança militar islâmica composta por 34 países – que representa, nas palavras do Primeiro-Ministro turco Ahmet Davutoglu, “a melhor resposta àqueles que querem associar terror ao Islã”. Se a decisão, por um lado, é uma ótima jogada de marketing, por outro, ela também encerra certo cinismo, uma vez que os principais financiadores do jihadismo no coração do Oriente Médio são as elites daqueles países que hoje dizem combatê-lo.

Outro caminho – que se vem mostrando eficiente – é fortalecer as minorias locais, como os curdos. O exército da região autônoma do Curdistão iraquiano, também conhecido como “Peshmerga”, já vem combatendo duramente o Daesh no norte do Iraque, parcialmente abastecido por armamentos norte-americanos.São eles os principais responsáveis pela proteçãode minorias étnico-religiosas, como os yazidis, contra perseguições e massacres perpetrados pelo Estado Islâmico.

As forças de esquerda do Curdistão sírio também travam batalhas contra o jihadismo e são peça importante no desenrolar da guerra civil.
Em busca de autonomia desde a deflagração do conflito, os curdos sírios declararam a independência da região de Rojava em janeiro de
2014, tendo adotado uma constituição pluralista e instituído a Federação Democrática do Norte da Síria.

O grande problema, em ambos os casos, é a dura oposição da Turquia ao fortalecimento da autonomia curda, já que lá vivem a maioria dos curdos que desejam o separatismo. Como o governo turco é parceiro estratégico do Ocidente na região e também vem-se aproximando de Moscou, frustra-se qualquer possibilidade de maior autonomia rumo a uma nação curda
independente. E dificulta-se, claro, o combate ao Daesh por terra.

Finalmente, ainda que norte-americanos, europeus e russos compreendam bem a ameaça representada pelo jihadismo, não há consenso sobre o futuro político da Síria. Nem as determinações aprovadas no Conselho de Segurança Nações Unidas, como a Resolução 2254 (2015), tampouco as negociações de paz conduzidas pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria, liderado por Rússia e EUA, foram capazes de estabelecer um cronograma consensual para o processo de paz no país. Permanentemente subjugada ao xadrez geopolítico das potências regionais e globais, a diplomacia, infelizmente, vem sendo incapaz de indicar uma luz no fim do túnel.

O resultado é que a Síria, hoje, encontra-se em estado de paralisia política. As recentes ofensivas do exército sírio asseguram ao governo Assad controle sobre aproximadamente 40% do território e 70% da população. Acuadas, as principais forças de oposição, organizadas em torno de grupos
sunitas como o Exército Livre da Síria e o Tahrir al-Sham (antiga Frente al-Nusra), controlam 17% do país e somente 9% do povo local. As Forças Democráticas Sírias consolidam-se no nordeste do país e vêm conseguindo manter a autonomia do Curdistão sírio, com 22% do território e 14%
da população. Por fim, o Daesh controla pouco menos de um quarto da Síria, a leste, e menos de 6% dos habitantes do país17.

As perspectivas apontam para dois riscos. O primeiro é o de uma escalada militar entre as potências. A alegação do uso de armas químicas por parte do governo Assad, em abril de 2017, deflagrou uma reação inesperada por parte
do recém-empossado presidente dos EUA, Donald Trump, que lançou 59 mísseis tomahawk contra alvos governistas18 e foi imediatamente
criticado pelo Kremlin. Mais recentemente, a crise diplomática no Golfo que levou à ruptura de relações entre o Qatar e seus vizinhos, entre os quais a Arábia Saudita, motivados pela proximidade entre Doha e Teerã, pode acrescentar um componente militar à “guerra fria” local.

O segundo risco é o agravamento do radicalismo islâmico, dentro e fora da Síria. Sem que haja uma campanha global contra o fundamentalismo, que ataque não somente os sintomas mas também as causas profundas, como
a islamofobia e a marginalização dos cidadãos muçulmanos em suas próprias sociedades, a região continuará convulsionando no futuro. Pelo desenrolar dos resultados eleitorais nos EUA e na Europa, o caminho ainda promete ser muito longo.

Referências:

1 Uma versão anterior e mais concisa deste texto foi publicada na Revista da Associação Paulista de Medicina, edição 685, jan/fev 2017.
2 http://www.aljazeera.com/news/2016/05/syria-civil-war-explained-160505084119966.html
3 THE NEW YORK TIMES. Fighting, while funding extremists. 19 de junho de 2017. Disponível em https://www.nytimes.com/2017/06/19/opinion/saudi-arabia-qatar-isisterrorism.html

4 GAUSE III, F. Gregory. Beyond sectarianism: the new middle east cold war. Brookings Doha Center Analysis Paper, 11 de julho de 2014. Disponível em https://www.
brookings.edu/wp-content/uploads/2016/06/English-PDF-1.pdf
5 ALTUNIŞIK, Meliha Benli. The inflexibility of Turkey’s Policy in Syria. Mediterranean Yearbook, 2016.
6 KHALIDI, Rashid. The Persistence of the Sykes-Picot frontiers in the Middle East. London Review of International Law, vol. 4, no. 2, 2016. Para um contraponto, ver: COOK,
Steven A. Cook; LEHETA, Amr T. Leheta. Don’t blame Sykes Picot for the Middle East’s mess. Foreign Policy, 13 de maio de 2016. Disponível em http://foreignpolicy.
com/2016/05/13/sykes-picot-isnt-whats-wrong-with-the-modern-middle-east-100-years/

7 STERN, Jessica; MCBRIDE, Megan K. Terrorism after the 2003 invasion of Iraq. Disponível em http://watson.brown.edu/costsofwar/files/cow/imce/papers/2013/
Terrorism%20after%20the%202003%20Invasion%20of%20Iraq.pdf

8 ANSIANI, Andrea; DANIELE, Vittorio. About a revolution: the economic motivations of the Arab Spring. International Journal of Development and Conflict, vol. 3, no. 2, 2012.
9 TALKUDAR, Indrani. Russia’s Strategic Interest in Syria. Indian Council of World Affairs, 17 de maio de 2016. Disponível em http://www.icwa.in/pdfs/IB/2014/
RussiaStrategicInterestinSyriaIB16052016.pdf
10 Pelos dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), há 3 milhões de refugiados sírios registrados na Turquia; 1 milhão no Líbano; 661 mil na Jordânia e aproximadamente 450 mil na Alemanha. Esses dados não refletem a totalidade de refugiados nestes países, muitos dos quais se encontram em situação ilegal ou transitória. Para mais detalhes, ver http://www.unhcr.org/syria-emergency.html e http://www.unhcr.org/sy/

11 Dados canadenses disponíveis em http://www.cic.gc.ca/english/refugees/welcome/milestones.asp. Dados brasileiros disponíveis em http://agenciabrasil.ebc.com.br/
direitos-humanos/noticia/2017-06/numero-de-refugiados-reconhecidos-sobre-12-no-brasil-em-2016
12 http://edition.cnn.com/2017/07/11/opinions/isis-loss-of-mosul-and-its-future-bergen/index.html
13 http://www.express.co.uk/news/world/693421/Terror-attacks-timeline-France-Brussels-Europe-ISIS-killings-Germany-dates-terrorism
14 http://www.independent.co.uk/news/world/africa/isis-plane-attack-egypt-terrorists-downed-russian-metrojet-flight-from-sharm-el-sheikh-islamic-state-a6893181.html
15 https://www.nytimes.com/interactive/2016/12/31/world/europe/turkey-recent-attacks.html
16https://www.nytimes.com/interactive/2016/03/24/world/100000004292457.mobile.html

17 Dhttp://syriancivilwarmap.com/war-statistics/
18 http://edition.cnn.com/2017/04/06/politics/donald-trump-syria-military/index.html

 

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